Rejeitar o orçamento, afirmar alternativas


Está confirmada a greve do metro para todo o dia. O Congresso Democrático das Alternativas solidariza-se com os trabalhadores do Metro de Lisboa e com a sua (nossa) luta. No entanto, mantemos a realização do debate, na véspera da votação na generalidade do orçamento de Estado para 2014.

Este é o Orçamento do vale tudo. Vale apresentar previsões e metas irrealistas. Vale fingir que o corte de salários e pensões tem alguma coisa a ver com as reformas que o país precisa para sair da crise e se desenvolver. Vale negar que a recessão con-tinuada destruirá competências e adiará os investimentos necessários ao crescimento da economia.

Tudo vale porque o governo e a troika não podem reconhecer que a sua estratégia falhou – que a economia portuguesa está ainda mais debilitada, a sociedade portuguesa desestruturada e as finanças públicas cada vez mais insustentáveis. Porque o governo espera por um milagre vindo da Europa que evite a humilhação de um segundo resgate. Porque é preciso aproveitar o choque e a desorientação para prosseguir uma agenda de desmantelamento do Estado Social. Porque é preciso continuar a pôr o interesse dos credores à frente da dignidade das pessoas. Vale tudo porque quem gere os destinos da Europa não se sente ameaçado pelo sofrimento que impõe a outros povos.

Os fundamentos e as consequências da proposta de Orçamento de Estado para 2014 têm de ser compreendidos e debatidos.
A busca de alternativas, por difíceis que pareçam, também passa por aqui.